Regiões históricas e distintas de fabrico de facas em todo o mundo transmitiram, ao longo de gerações, técnicas consolidadas que, mesmo quando combinadas com tecnologia moderna, continuam a refletir um estilo de artesanato que nos oferece uma perspetiva sobre um lugar e um tempo específicos.
Um exemplo claro são as tradições milenares de fabrico de facas na Ásia. Estas heranças regionais na arte da cutelaria têm inspirado continuamente a equipa de especialistas da WÜSTHOF a explorar os estilos predominantes de facas de inspiração asiática e ocidental, criando híbridos inovadores e premium que reúnem o melhor de ambos os mundos.
Quais são as diferenças entre estes estilos regionais de fabrico de facas?
Tal como Solingen é considerada a capital da cutelaria da Europa Ocidental desde a Idade Média, também a Ásia possui os seus centros históricos de referência na arte da forja. Yangjiang, cidade situada na província chinesa de Guangdong, é um polo de fabrico de facas há mais de mil e quinhentos anos. A produção civil começou a ganhar expressão por volta de 550 d.C., quando tropas do Exército Imperial Chinês se estabeleceram na cidade. Os artesãos locais evoluíram para mestres ferreiros, forjando espadas artesanais de elevada qualidade que rapidamente se tornaram reconhecidas em toda a China.
Com o passar do tempo, e à medida que as espadas deixaram de ser necessárias, estes artesãos perante a diminuição da procura passaram a dedicar-se à produção de facas de cozinha premium. Um percurso semelhante ocorreu em Seki, no Japão, outro centro histórico de excelência na cutelaria. Séculos de conhecimento e competência acumulados em Seki têm origem em técnicas inicialmente desenvolvidas para a produção de espadas de samurai.
Durante a Restauração Meiji, no final do século XIX, foi promulgado um decreto que proibiu os antigos samurais (conhecidos como shizoku) de portar espadas, considerando essa prática incompatível com o período de forte modernização e ocidentalização do país. O chamado Decreto de Abolição das Espadas deixou muitos artesãos sem trabalho, levando-os a aplicar a sua mestria na forja de facas destinadas ao uso culinário para picar, fatiar e cortar.
A Diferença entre Facas de Estilo Ocidental e de Estilo Asiático
As facas tradicionais de estilo asiático, especialmente as de fabrico japonês, são maioritariamente de bisel simples (single bevel), o que significa que um lado da lâmina é praticamente plano enquanto o outro é afiado em ângulo.
As lâminas são finas, extremamente afiadas e de elevada dureza, tornando estas facas ideais para trabalhos de precisão e para um manuseamento mais leve e rápido.
Tradicionalmente, são produzidas em aço carbono, material mais suscetível à oxidação do que o aço inoxidável. Além disso, devido à elevada dureza, podem ser mais propensas a lascar ou partir se não forem utilizadas corretamente.
Por outro lado, as facas originárias da Europa Ocidental — particularmente as de fabrico alemão — são geralmente de bisel duplo (double bevel), ou seja, ambos os lados da lâmina são afiados em ângulo e convergem num fio central.
Estas lâminas tendem a ser mais espessas e mais pesadas do que as suas equivalentes de inspiração japonesa e apresentam uma curvatura característica que facilita o movimento de balanço (rocking motion) durante o corte.
As facas de estilo ocidental são também fabricadas com um aço ligeiramente mais macio, o que as torna menos frágeis e mais resistentes. São, por exemplo, as mais indicadas para cortar ingredientes mais densos, como uma abóbora-manteiga de polpa firme.
A Influência Moderna
A cutelaria contemporânea inspira-se frequentemente tanto na tradição asiática como na europeia, fundindo técnicas e práticas das duas regiões históricas para criar lâminas híbridas de elevado desempenho.
Estas facas podem, por exemplo, combinar:
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A robustez e durabilidade associadas ao estilo ocidental
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A leveza e a nitidez de corte típicas do estilo asiático
O resultado são modelos que reúnem o melhor de ambos os mundos.
Tipos de Facas de Estilo Asiático
A equipa de artesãos especializados da WÜSTHOF, em Solingen, Alemanha, inspira-se continuamente na mestria e inovação das tradições regionais asiáticas de fabrico de facas.
A fábrica da WÜSTHOF em Solingen produz facas de estilo asiático que evidenciam características essenciais tanto das técnicas tradicionais como das abordagens modernas.
Embora existam diversos tipos de facas asiáticas em todo o mundo, estas são quatro das formas de lâmina de estilo asiático mais apreciadas pelos utilizadores da marca.
Faca de Chef de Estilo Chinês
A tradicional faca de chef chinesa combina um espírito multifunções com uma estrutura semelhante à de um cutelo.
Apesar de visualmente poder lembrar um cutelo, a sua função é bastante diferente. O cutelo é concebido para tarefas que exigem maior força de corte, como partir ossos para caldos. Por isso, possui uma lâmina mais espessa e pesada, pensada para ser utilizada com maior impacto.
Já a faca de chef de estilo chinês destina-se ao uso essencial e diário na cozinha. A lâmina larga e quadrada é forjada a partir de uma única peça de aço WÜSTHOF e é ligeiramente mais estreita do que a de um cutelo de talho tradicional.
Em termos de peso e formato, aproxima-se de uma espátula de bancada (bench scraper) — e pode, de facto, desempenhar essa função. Isto é particularmente útil em receitas que envolvem grande volume de ervas e legumes picados, permitindo raspar e transferir facilmente os ingredientes diretamente para a frigideira com a face plana e larga da lâmina.
Quer esteja a picar alho, a cortar coentros de forma mais grosseira ou a fatiar bife finamente, a faca de chef de estilo chinês é adequada para praticamente qualquer tarefa na cozinha.
Chai Dao
O chai dao é um cutelo de legumes extremamente versátil.
Esta faca robusta, mas ágil, foi concebida para trabalhos de preparação precisos e focados em vegetais distinguindo-se de tarefas de cozinha que exigem a força considerável de um cutelo de carne convencional, como partir cocos ou separar ossos de frango.
O chai dao é semelhante, em formato, a um cutelo tradicional, mas apresenta uma lâmina mais fina, menor e mais leve, permitindo maior controlo ao cortar, picar, fatiar ou cortar em cubos.
A sua excelente manobrabilidade torna-o uma ferramenta multifunções ideal para cortar pepino em juliana, picar gengibre fresco ou obter fatias finas e uniformes de postas de peixe ou cortes de carne de menor dimensão.
Santoku
A faca santoku é a mais utilizada nas cozinhas domésticas japonesas. Trata-se de uma faca de chef leve e multifunções, com fio reto ou ligeiramente curvo.
Geralmente apresenta uma lâmina mais fina e mais afiada do que a de uma faca de chef de estilo ocidental e, por vezes, inclui cavidades ou alvéolos na lâmina que ajudam a evitar que os alimentos adiram durante o corte.
A etimologia do termo japonês significa “três virtudes” ou “três capacidades”, referindo-se às múltiplas funções da faca desde a variedade de técnicas de corte que permite executar até à diversidade de ingredientes que facilita preparar e servir.
Nakiri
A nakiri é outra faca versátil muito utilizada nas cozinhas japonesas. Trata-se de uma faca de legumes com fio reto e ponta simétrica e arredondada (sem ponta afiada).
O formato da lâmina impede o movimento de balanço típico das facas de chef de estilo ocidental, cuja curvatura na zona do “ventre” permite um corte em vai-e-vem.
A nakiri destaca-se no corte de frutas, legumes e ervas aromáticas de qualquer tipo. No entanto, também é útil para tarefas delicadas que exigem precisão, como fatiar peixe e carne em lâminas finas.
Se privilegia um manuseamento ágil e leve, lâminas duras e extraordinariamente afiadas, e trabalhos de corte orientados para a precisão, as facas de estilo asiático são uma excelente opção a explorar.
Embora as facas japonesas tradicionais exijam manutenção especializada e técnicas específicas de afiação para lâminas de bisel simples, as facas premium de estilo asiático da WÜSTHOF oferecem alternativas mais acessíveis — mantendo, ainda assim, o elevado padrão de qualidade e o rigor artesanal pelos quais estas históricas regiões asiáticas de cutelaria são reconhecidas.
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